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quinta-feira, 18 de julho de 2013
Não precisamos ter TUDO!!!!!
Quase 8 meses, quase lá. A barriga pesa, o corpo dói, dormir bem a noite toda?! Não isso não me pertence mais.É só deitar e acomodar os dois travesseiros na cabeça para não ficar sem ar, mais um fininho na barriga e achar que estamos bem tranquilos para começar a pegar no sono que dá aquela vontade absurda de fazer xixi, isso repetidas vezes numa mesma noite, toda noite, mesmo eu evitando liquido perto da hora de dormir, oque só piora, pois a vontade é a mesma oque muda é a quantidade de liquido que sai,rsrsr.
Tanta coisa ainda para fazer, comprar...na verdade estamos curtindo. Mesmo sem grana (talvez não de para pintar o quarto de azulzinho como eu queria), sem berço ainda, sem enxoval novinho...ganhei tanta coisa de 2ª mão, peças que foram do filho de uma amiga (peças usadas mas bem cuidadas) que fiquei tão feliz em receber que fico pensando se esse menino vai precisar de mais. Claro que vou acabar comprando algo novo, mas o mínimo possível, esta é a meta.
Como o meu mais novo está com 9, não tinha nada guardado, fui dando para familiares, amigos ou quem estivesse precisando, tem aquele ditado: QUEM DÁ OQUE TEM, A PEDIR VEM. rsrrsrs. Mas nunca fui de ficar guardando nada e roupinha de bebê achei que precisaria comprar só para os meus netos,enfim.
Verdade seja dita, é muito diferente ser mãe de novo depois de quase 10 anos, meu corpo, bem sobre este é melhor nem entrar em muitos detalhes, minha cabeça está totalmente diferente.
Tenho uma sobrinha que no auge dos seus 23 anos está quase parindo sua 1ª filha, quanta ansiedade e planejamento para tudo, ela deve estar para parir literalmente e não se aguenta, quer ver logo a carinha, pegar no colo, usar o enxoval todo lilás novinho, bem lavado, passado...uma delicia. Eu também quando engravidei da 1ª fiz questão de um monte de coisinhas, principalmente por ser menina, tudo com muito fru-fru, por isso não estou julgando não acho que ela está certissima e tem que curtir tudo MESMO.
Comigo não. Não que eu esteja sendo uma mãe relaxada e tal, pelo menos não me considero. Mas minhas prioridades são outras. Se meu filho pode ser bem acolhido com o básico não posso e nem quero ostentar nada. Quero priorizar o ser e não o ter. Quero que ele perceba desde já que ninguém tem tudo na vida e nem precisa ter nada para ser feliz.
Sinto que em nossas vidas teremos muitas alegrias, nossa família mais unida e consequentemente mais feliz.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Delícias e tragédias...de uma pré-adolescente!
Agora é oficial : Tenho uma pré-adolescente em casa com todos os prós e contras da idade.
Por favor mães e/ou responsáveis de adolescentes, me ajudem.
Engraçado como a gente esquece de como eramos nessa idade.
Aos poucos quero relatar aqui cenas do nosso cotidiano, que não merecem passar em branco, rsrsrs, mesmo.
Ainda falando da festa, porque não.
Minha filha é muito anciosa e já tinha tudo devidamente esquematizado na cabecinha. Tudo! Até o personagem que estaria indicando a porta do banheiro dos meninos, por exemplo. Enfim...
Ela fez um desenho da saia que queria que eu fizesse para ela usar, uma vez que embora a festa fosse a 'fantasia' como explicado no convite, ela não queria a fantasia da 'Alice' pois já tinha passado da idade, (ó dó!). O desenho feito ficou uma graça, era uma saia bem, bem esvoaçante em rosa e azul.
Bem, achei o tecido comprado para lembrancinha tão lindo, com aquele azul, tão azul, e sobrou, então porque não?!
A primeira reação ao ver o retalho cortado na mesa, foi..._Não acredito! Você! Tem coragem? Quer dizer vai fazer pra sua filha, uma saia com o retalho da lembrancinha? Quer dizer todo vai rir da minha cara, porque só eu (na face da Terra!) vou usar uma saia assim (?).
Não entenderam nada, ufa! também não.
Confiei nos meus instintos e nas poucas horas que me sobravam e terminei a saia.
Quando viu pronta, disse: _Que linda! Mamãe você tem idéias ótimas, hein! Fazer oque né?!
Filhos...entender pra quê, se só amá-los já é tão bom, rsrsrs.
Por favor mães e/ou responsáveis de adolescentes, me ajudem.
Engraçado como a gente esquece de como eramos nessa idade.
Aos poucos quero relatar aqui cenas do nosso cotidiano, que não merecem passar em branco, rsrsrs, mesmo.
Ainda falando da festa, porque não.
Minha filha é muito anciosa e já tinha tudo devidamente esquematizado na cabecinha. Tudo! Até o personagem que estaria indicando a porta do banheiro dos meninos, por exemplo. Enfim...
Ela fez um desenho da saia que queria que eu fizesse para ela usar, uma vez que embora a festa fosse a 'fantasia' como explicado no convite, ela não queria a fantasia da 'Alice' pois já tinha passado da idade, (ó dó!). O desenho feito ficou uma graça, era uma saia bem, bem esvoaçante em rosa e azul.
Bem, achei o tecido comprado para lembrancinha tão lindo, com aquele azul, tão azul, e sobrou, então porque não?!
A primeira reação ao ver o retalho cortado na mesa, foi..._Não acredito! Você! Tem coragem? Quer dizer vai fazer pra sua filha, uma saia com o retalho da lembrancinha? Quer dizer todo vai rir da minha cara, porque só eu (na face da Terra!) vou usar uma saia assim (?).
Não entenderam nada, ufa! também não.
Confiei nos meus instintos e nas poucas horas que me sobravam e terminei a saia.
Quando viu pronta, disse: _Que linda! Mamãe você tem idéias ótimas, hein! Fazer oque né?!
Filhos...entender pra quê, se só amá-los já é tão bom, rsrsrs.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Para não dizer que não postei hoje.
Li este artigo na revista e vim compartilhar com vcs.
Beijos e boa semana.
Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.
É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?
Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.
...
Elaine Brum
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum
Beijos e boa semana.
Meu filho, você não merece nada
...Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.
É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?
Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.
...
Elaine Brum
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum
terça-feira, 21 de junho de 2011
Entre um espacate e uma reversão.
Eu disse que no comecinho do mês teve o pesadelo das provas intermediárias de 2º trimestre, rsrsrs. Então, com a Melissa sempre rola um 'stressssss' porque eu falando e querendo a menina 'sentada' e ela me dizendo que já sabe e blá,blá,blá entre um espacate e outro. Acredite minha filha faz espacate enquanto estuda ou faz lição. Daí que antes de enlouquecer de vez, resolvi mudar de tática e quando fomos estudar Lingua Portuguesa eu dizia que não estava entendendo nada.
_Meu Deus do Céu, oque essa professora quer, enlouquecer as crianças, só pode. Eu nem faço idéia do que é isso e...
_Ah mamãe deixa que eu explico é facil : ditongo é...hiato é...a gente usa isso quando...
Ufa! E assim descobri que minha filha não tem problemas para entender a matéria quando é do seu interesse.
Melhor pra mim? Eu acho.
Então o Gustavo que está no 2º ano e tinha uma dúvida de Lingua Portuguesa veio me perguntar como era e de repente, assim no meio da frase, me olha desconfiado e diz: _Pode deixar mamãe eu pergunto pra Me.
Será que eu fui tão convincente assim...
sábado, 21 de maio de 2011
Que mãe é você?
Foi nesta semana, enquanto esperava para uma consulta médica de rotina, que fiquei folheando uma revista na ante sala. Quando vi a noticia do lançamento do livro da Mãe-Tigre. Fiquei chocada com a sinopse e fui procurar para ler e se possível entender. Entender o quê? O que uma mãe faz dentro de casa com sua família? A maneira como educa e impõe limites? Não concordo com muita coisa mas e dai? Em que posso mudar o mundo?
Cada um tem sua maneira de encarar a vida e como já foi dito muitas vezes até aqui, todas temos certeza de estarmos fazendo o melhor para os nossos. Ou pelo menos gosto de pensar assim. Admitir que uma mãe tenha intenção de fazer mal seria reconhecer nela um monstro.
Quanto a autora é óbvio que vai receber críticas afinal uma coisa é você chamar seu filho de lixo na intimidade da sua casa, sem uma maior exposição. Outra bem diferente é escrever um livro relatando situações piores ainda e com detalhes e se achar superior por isso.
Fiquei realmente impressionada mas não cabe a mim julgar, por isso quis publicar todos os posts anteriores para que cada um pense o que quiser.
Amo receber garrancho aleatórios dos meus filhos e se eles nunca chegarem a ser o máximo na vida eu assumo: A culpa é toda minha.
Cada um tem sua maneira de encarar a vida e como já foi dito muitas vezes até aqui, todas temos certeza de estarmos fazendo o melhor para os nossos. Ou pelo menos gosto de pensar assim. Admitir que uma mãe tenha intenção de fazer mal seria reconhecer nela um monstro.
Quanto a autora é óbvio que vai receber críticas afinal uma coisa é você chamar seu filho de lixo na intimidade da sua casa, sem uma maior exposição. Outra bem diferente é escrever um livro relatando situações piores ainda e com detalhes e se achar superior por isso.
Fiquei realmente impressionada mas não cabe a mim julgar, por isso quis publicar todos os posts anteriores para que cada um pense o que quiser.
Amo receber garrancho aleatórios dos meus filhos e se eles nunca chegarem a ser o máximo na vida eu assumo: A culpa é toda minha.
Que mãe é você?
Claudia Gutiérrez Ercasi | 08 Maio 2011
Internacional - China
Há evidência clínica que indica que após um aborto podem se apresentar atitudes suicidas devido à dor da perda e a depressão. Além disso, a preferência pelo varão nas zonas rurais leva ao infanticídio e ao aborto seletivo de meninas. A doutrina de Confúcio, como filosofia e religião, é a influência cultural mais importante da China. A atitude para a morte, inclusive o suicídio, tem a ver com virtudes confucianas.Internacional - China
O aborto está fortemente associado ao incremento de suicídios
56% das mulheres que se suicidam no mundo são chinesas. Uma média de 280.000 pessoas tiram a própria vida a cada ano no país (uma morte a cada dois minutos), das quais mais de 150.000 são mulheres, segundo dados do Ministério da Saúde chinês.
O gigantesco país asiático, que acolhe 20% da população mundial (1.260 milhões de habitantes), registra um quarto do total de suicídios no mundo e é um dos poucos países onde o índice é superior na mulher. Trata-se da quinta causa de mortandade na China e a primeira entre as jovens de 15 a 34 anos que vivem em zonas rurais.
Liu, de 18 anos, havia tentado se suicidar cinco meses antes porque seus superiores decidiram ampliar seis meses mais sua condição de aprendizagem em uma fábrica de porcelana. Para ela representou uma humilhação. Sua supervisora a acusava de não trabalhar de forma independente e de andar sempre discutindo com as outras companheiras. Na véspera de sua morte, a supervisora voltou a repreendê-la e desta vez sua irmã interveio para defendê-la, o que aborreceu ainda mais sua chefe que chegou a dizer: "Sim, eu me mostro hostil com sua irmã e embora tente se suicidar de novo para me ameaçar, não me importa". Liu apareceu sem vida na manhã seguinte. Assumido na cultura. Recurso não mal visto
Nunca, até agora, o governo chinês havia prestado atenção a este grave problema, e só muito recentemente se começou a estudar as causas que levam a cada ano dois milhões de pessoas a tentar acabar com sua própria vida (das quais 1.5 são mulheres). Uma das razões é que o recurso ao suicídio esteve, ao longo da história, muito enraizado na cultura e nos valores do país. Não existe um tabu social ou religioso que o proscreva. Na cultura oriental, tirar a própria vida considerou-se uma forma de expressão em si mesma, "um protesto em silêncio", enquanto se despreza a exteriorização das emoções.
A dimensão do drama, agora qualificado como problema sanitário de primeira ordem, levou as autoridades a traçar o Plano Nacional para a Prevenção do Suicídio, que será implementado dentro de dois anos. Na iniciativa intervirão a Organização Mundial da Saúde (OMS) e experts internacionais como Michael Phillips, diretor executivo do Centro para a Investigação e Prevenção do Suicídio (CIPS) da capital chinesa.
São múltiplos os fatores sociais, filosóficos e históricos que intervêm nesta cultura do suicídio. Por uma lado, a China vive desde 1978 um acelerado desenvolvimento econômico que trouxe consigo mudanças radicais à vida da população. Marés de migração do campo para a cidade, política de um só filho, fechamento de centenas de empresas estatais, desemprego, fim dos benefícios sociais e do trabalho de uma vida inteira, liberalização da maior parte dos setores econômicos e crescente cultura do consumo e do dinheiro.
O problema agrário
Estas mudanças, que na teoria afetaram mais a vida nas cidades, não se refletiram do mesmo modo no que se refere ao suicídio da mulher. Enquanto a mulher urbana aceitou a restrição do filho único em favor de uma melhor qualidade de vida, maiores recursos e oportunidades, no campo os filhos contribuem para a economia familiar e são o fundamento das mesmas.
Para Phillips, que explica este fenômeno, a chave está na enorme influência do controle da natalidade sobre o suicídio na mulher rural.
No campo, os casais podem solicitar permissão para um segundo filho se o primeiro é menina, e são os funcionários do gabinete local para o controle da natalidade que estabelecem o momento adequado para a gravidez a partir de quotas regionais. O aborto está fortemente associado ao incremento de suicídios. Há evidência clínica que indica que após um aborto podem apresentar-se atitudes suicidas devido a dor da perda e a depressão, e a mulher chinesa se vê pressionada a abortar quando não consegue evitar gravidez não desejada. Além disso, a preferência pelo varão nas zonas rurais leva ao infanticídio e ao aborto seletivo de meninas.
Por outro lado, no entorno rural continuam-se arranjando casamentos entre famílias e persiste a submissão da mulher a seu pai, primeiro, e a seu esposo e sogra, depois. A mulher abandona sua família para passar à do marido, à qual contribui com seu trabalho, os filhos e o cuidado dos mais velhos (daí a preferência pelo filho varão). A isto soma-se uma escassa alfabetização, falta de oportunidades e pouca auto-estima. Segundo estimativas, ao menos 40% das mulheres casadas sofre algum tipo de violência por parte do marido.
A preferência pelo varão gerou um profundo desequilíbrio, dado que para cada 100 mulheres da última geração, há 120 homens. Isto levou ao comércio de mulheres, que são raptadas por bandos organizados. Os camponeses solteiros pagam entre 250 e 500 euros por uma jovem e, embora não haja cifras exatas, calcula-se que a cada ano vendem-se dezenas de milhares. Algumas conseguem escapar, porém lhes dá tanta vergonha que muitas vezes não voltam para sua família. Uma enorme pressão psicológica.
E um último fator, embora não menos alarmante. Há já uma década falava-se do filho único como uma "bomba de relojoaria". Estes jovens estão submetidos a um tremendo stress em seus estudos. Sofrem uma pressão permanente por parte de seus pais e avós, que põem em seu futuro acadêmico todas as suas esperanças, ao mesmo tempo que os protegem em excesso. Isto converte-os em pessoas incapazes de assimilar fracassos ou desenganos amorosos, o que explica muitos suicídios entre a população jovem.
Fonte: Forum Vida
Tradução: Graça Salgueiro
Mídia Sem Máscara
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Que mãe é você??????
Filha defende mãe-tigre das críticas
18/01/2011 | 20:59 | Letícia Sorg | Atualidades, Cultura, Família | EDUCAÇÃO, filhos, maternidade
Desde que publicou no Wall Street Journal o artigo intitutado “Por que as mães chinesas são superiores”, a sino-americana Amy Chua virou alvo de críticas de mães e filhos no mundo todo. No texto, Amy, que é professora de direito em Yale, defendia a disciplina rígida na criação dos filhos e contava histórias chocantes de como cobrava estudo e empenho de suas duas filhas, Sophia e Louisa, hoje com 14 e 18 anos. Em uma ocasião, Amy ameaçou deixar a filha mais nova, então com 7 anos, sem festa de aniversário, sem bonecas, sem comida e até sem ir ao banheiro se ela não estudasse uma música difícil no piano.
Por causa dessas histórias, Amy recebeu críticas de todos os lados, de ocidentais a orientais. Os primeiros disseram que ela havia criado dois robôs incapazes de se relacionar com os outros. Os últimos, que seu artigo passava uma imagem errada sobre os pais orientais e reforçava o preconceito. Amy recebeu até ameaças de morte por causa do texto, que reúne os trechos mais polêmicos de seu livro Battle Hymn of the Tiger Mother (Hino de Batalha da Mãe Tigre), que será lançado no Brasil no segundo semestre pela Editora Intrínseca.
Assustada com a repercussão negativa do artigo, Amy Chua deu entrevistas a jornais e revistas americanos tentando explicar melhor sua posição – de fato, no livro, a mãe-tigre, apesar de super rígida, acaba cedendo e refletindo sobre a necessidade de encontrar um equilíbrio entre os estilos oriental e ocidental de educação. E, nesta terça (18), sua filha mais velha, Sophia, escreveu em defesa da mãe para o New York Post. O texto, que traduzo aqui, é ótimo, cheio de humor e ironia, como o livro da mãe, e convida, mais uma vez, pais e filhos à reflexão:
Você tem sido muito criticada desde a publicação de suas memórias, Battle Hymn of the Tiger Mother. Um dos problemas é que as pessoas não entendem o seu senso de humor. Eles pensam que você está falando sério sobre tudo, e que Lulu e eu fomos oprimidas por nossa mãe má. Isso é tão falso. A cada quinze dias, nas quintas-feiras, você nos desacorrentava e nos deixava brincar com jogos de matemática no porão.
Mas, sério, não é culpa deles. Nenhuma pessoa de fora pode saber como é nossa família na verdade. Eles não nos ouvem rindo das piadas uns dos outros. Eles não nos veem comendo nossos hambúrgueres com arroz frito. Eles não sabem quanto nós seis nos divertimos – os cães incluídos – ao nos apertarmos em cima da cama para debater que filme baixar para assistir.
Eu admito: tê-la como mãe não é bolinho [acho que essa é a tradução mais próxima para 'no tea party']. Gostaria de ter ido brincar com meus amigos em algumas ocasiões e gostaria de ter pulado algumas das lições de piano. Mas agora que tenho 18 anos e estou quase deixando a caverna do tigre, sou grata pela maneira como você e papai me educaram. E explico por quê.
Muitas pessoas acusaram você de produzir crianças-robô incapazes de pensar por si próprias. Bem, é engraçado, porque eu penso que essas pessoas são… bom, não importa. De qualquer forma, estava pensando sobre isso, e cheguei à conclusão oposta: acho que seu jeito rígido me forçou a ser mais independente. Desde cedo eu decidi ser uma criança fácil de ser educada. Talvez eu tenha puxado isso de papai – ele me ensinou a não levar em conta o que as outras pessoas pensavam e tomar minhas próprias decisões –, mas eu também decidi o que queria ser. Não me rebelei, mas também não sofri com todas as pedras e flechas de uma mãe-tigre. Hoje faço minhas próprias coisas – como construir estufas no centro da cidade, ouvir Daft Punk no último volume com Lulu no carro e forçar meu namorado a assistir O Senhor dos Anéis comigo de novo e de novo – desde que eu já tenha estudado piano.
Todo mundo está comentando sobre os cartões de aniversário que nós fizemos para você, e você rejeitou dizendo que eles não eram suficientemente bons. Engraçado como algumas pessoas estão convencidas que isso nos marcou por toda a vida. Talvez eu ficasse triste se tivesse colocado meu coração naquele cartão. Mas vamos encarar a realidade: o cartão era fraco, e você havia me pegado. Fiz em 30 segundos sem sequer apontar o lápis. Por isso, quando você rejeitou o cartão, não senti que você estava me rejeitando. Se eu realmente tivesse dado o melhor de mim em alguma coisa, você nunca jogaria de volta na minha cara.
Lembro-me de caminhar para o palco para uma competição de piano. Eu estava muito nervosa, e você sussurrou: ‘Soso, você trabalhou o mais duro que pôde. Não importa como vai ser sua apresentação.’
Todo mundo parece acreditar que a arte é espontânea. Mas, Mãe-Tigre, você me ensinou que precisamos de esforços até para a criatividade. Acho que eu era um pouco diferente das outras crianças na escola, mas quem disse que isso é ruim? Talvez eu apenas tenha tido sorte de ter ótimos amigos. Eles costumavam grudar bilhetes na minha mochila dizendo ‘boa sorte na competição amanhã! Você vai se sair bem!’ Eles iam me ver nos recitais de piano – geralmente por causa dos bolinhos que fazíamos para depois – e comecei a chorar quando os ouvi gritando ‘bravo!’ no Carnegie Hall.
Quando cheguei ao Ensimo Médio, você sentiu que era o momento de me deixar crescer um pouco. Todas as meninas começaram a usar maquiagem na nona série [equivalente ao nono ano para nós no Brasil]. Fui até a loja para comprar e aprendi a usar. Não era nada de mais. Você ficou surpresa quando me viu descendo para o jantar usando delineador, mas não ligou. Você me deixou ter esse rito de passagem.
Outra crítica que continuo ouvindo é que você está de certa forma promovendo o foco no resultado, mas você e papai me ensinaram a perseguir o conhecimento pelo conhecimento em si. No penúltimo ano do Ensino Médio, me inscrevi para estudar história militar, uma disciplina optativa (sim, você me deixou estudar muitos outros assuntos além de matemática e física). Uma de nossas tarefas era entrevistas alguém que tinha vivenciado a guerra. Sabia que poderia tirar uma boa nota entrevistando meus avós, cujas histórias de infância durante a Segunda Guerra Mundial eu já tinha ouvido milhares de vezes. Quando contei a você, você disse: ‘Sophia, esta é uma oportunidade para aprender algo novo. Você está indo pela saída mais fácil.’ Você estava certa, Mãe-Tigre. No fim, entrevistei um paraquedista israelense cuja história mudou a forma como eu enxergava a vida. Devo essa experiência a você.
Mais uma coisa: acho que o desejo de viver uma vida significativa é universal. Para algumas pessoas, é trabalhar para atingir um objetivo. Para outros, é aproveitar todos os minutos de cada dia. Então, o que realmente significa viver plenamente? Talvez lutar para ganhar um prêmio Nobel e praticar skydiving sejam apenas dois lados da mesma moeda. Para mim, não, viver plenamente não tem a ver com conquista e recompensa. Tem a ver com saber que você tentou atingir, com o corpo e a mente, os limites de seu potencial. Você sente quando está correndo, e quando a música que você praticou durante horas finalmente ganha vida sob os seus dedos no piano. Você sente isso quando encontra uma ideia que muda sua vida, e quando faz, por conta própria, algo que você nunca se julgou capaz de fazer. Se eu morresse amanhã, morreria com o sentimento que vivi toda a minha vida em 110%.
E, por isso, Mãe-Tigre, eu agradeço.”
Adorei o texto de Sophia – ainda mais sabendo que ela tem apenas 18 anos. A garota está muito certa em dizer que é fácil – e injusto – julgar uma família sem saber o que de fato se passa dentro de casa. De perto, todos os pais e mães são falíveis, cometem erros e exageros que podem soar absurdos aos ouvidos “estrangeiros”. E nós, filhos, também falhamos de várias maneiras. A única coisa que não muda, aqui ou na China, é o imenso amor que nos une.
Que mãe é você?
Livro polêmico da 'mãe-tigre' chega ao País
Para a autora do livro que acabou de ganhar tradução no País - Grito de Guerra da Mãe-Tigre (ed. Intrínseca), é normal que as filhas não possam dormir na casa de amigos. Suas filhas Sophia e Lulu não podiam fazer aulas de teatro e passaram a infância tendo intensas aulas de mandarim, violino e piano. Não bastava que fizessem as aulas, tinham que repetir milhões de vezes as lições, até se tornarem as melhores da classe em tudo.
Amy, professora de direito na prestigiada universidade Yale, foi obviamente foi questionada pelos pais do país onde vive, os EUA. A eles ela oferece a evidência de que a educação de suas filhas foi primorosa: medalhas de ouro, apresentação no Carnegie Hall.
Com a chegada do livro ao País, as polêmicas devem continuar. Para a autora, os ocidentais, no caso americanos, são muito preocupados com a "autoestima" das crianças. Já os chineses consideram que o filho pode aguentar ser tratado como lixo, pois assim progredirá na vida.
Por causa de suas opiniões, Amy, que é casada com um judeu americano filho de pais liberais, chegou a receber ameaças de morte.
A autora se defende. Diz em seu site diz que escreveu o livro em um momento de crise com a filha mais nova, Lulu. A escrita teria funcionado como uma terapia familiar. Ela afirma que a diferença básica entre americanos e chineses na educação dos filhos é que aqueles pressupõem que seus filhos são "frágeis" e "fracos", enquanto os chineses acham que eles são "fortes" e aguentam o tranco de uma rotina espartana de estudos.
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